quarta-feira, 30 de junho de 2010

Posso lhe Entregar Mais?

"Nada posso lhe oferecer que não esteja em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo além daquele que há em sua própria alma. Nada posso lhe dar, a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo."

Hermann Hesse

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Um Éden Memorável

Os poetas da antiguidade animaram todos os objetos sensíveis com Deuses ou Gênios, nomeando-os e adornando-os com as propriedades dos bosques, lagos, cidades, nações e tudo o que seus dilatados sentidos podiam perceber.
Particularmente, estudaram o gênio de cada cidade e país, colocando-o sob a égide de sua deidade mental.
Até que se formou um sistema, do qual alguns se aproveitaram e escravizaram o vulgo, interpretando e abstraindo as deidades mentais de seus respectivos objetos. Então surgiu o clero.
Elegendo formas de culto dos mitos poéticos.
E proclamando, por fim, que assim haviam ordenado os Deuses.
Os homens então esqueceram que Todas as deidades residem em seus corações.
William Blake

sábado, 15 de maio de 2010

Uma máxima (leia-se: uma manifestação de vaidade)

Liberdade: a ignorância que temos da distância até os muros de nossa vida.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Algumas coisas não foram feitas para serem nominadas

Há algo senão cisão?
cisão - a seiva da vida.
Meus olhos não lembram mais
Mundos que me sussurraram

Este rio de nove fozes,
suas tantas águas negras
rondam a ilha do instante.
a gota do negror férreo
é o grotão da pupila

ó Alma - Nau já sem leme,
singra o rio impassível
cantando só deste fado
dos teus marujos - Os Mortos!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Quem Faz as Perguntas?


- Por que choras?
- não sei porque choro, somente sei que choro.
- Não seria saudade de um tempo ou de um lugar?
- A minha condição me impede a lembrança
- Não tens sequer família ou pátria?
- Não ter e não lembrar... Que diferença faz? Sinceramente estes conceitos me são uma lembrança vaga. De todo modo, não posso deixar de senti-los como uma mera futilidade
- Achas então que sou fútil?
- Sinceramente, senhor, não sei do que está falando. não me lembro das ofensas que fiz um dia e nem daqueas das quais fui alvo um dia.
- Não choras pois por qualquer ofensa?
- Não sei porque choro, somente sei que choro
- não tens sequer a mínima idéia da causa de teu choro?
- Claro que não! quando este momento começou já estava eu aqui sentado e chorando, você perguntava o motivo do meu choro...
- Quem é você, tolo que chora?
- Agora para voce sou um tolo que chora. Isto lhe é suficiente?
- De fato, devo tomá-lo por um louco. quero ainda assim saber quem é você.
- Bem, agora sou um louco. Se me disser que sou o vento, deveras evanescerei
-Sua resposta não faz qualquer sentido. talvez para entendê-lo tenha de responder e não perguntar. Pergunte-me algo.
- De fato, toda a pergunta que me fez foi uma resposta que continha em si a forma de uma pergunta
- Não importa. quero que me faças uma pergunta.
- Quão breve é o agora?
- não sei o que quer dizer
- Senhor, não tenho idéia do que está falando

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O NAVEGANTE DO DESERTO - Parte I: A Bússola de Mil Nortes


Quem destes desertos
onde a raça de cain vaga e passa fome
os limites conhece?
quem já chegou aos limites de um deserto devorador,
devorador do horizonte;
insaciado do infinito,
que devora, sorvendo
a brisa da praia de ondas argênteas?
eis aqui pergunta para quem
pelo deserto flana; mesmo pode ser
para quem o deserto conhece. a resposta vem da boca
de poucos- muitos aqui se entende por ninguém.

De todo modo, , antes da hora do retorno ao pó que

há de me igualar à areia cálida e áspera, nada farei

salvo caminhar deserto a fora, ou ao sentido

incognoscível que existe em minhas pernas.

tudo o que resta é caminhar - estas caminhadas

de suor e sangue, sangue, sede e fome - tudo o que resta é caminhar

avançar pela areia até a Queda que meus passos,

meus passos vibrantes e frementes sem temor

ou timidez só fazem imitar

tudo o que resta é caminhar

Um canto cálido de tristeza

ecoou das rochas distantes

a bloquear o horizonte:

"a velha cigana

é hoje frio pó

seu fatal baralho

assola o deserto"

O rio gélido

que meu corpo pintou

fez-me entender: 'eu tinha medo?'

Na noite cálida do deserto, o vento arenoso
afeito às previsões, fez pousar à minha mão
uma carta em granito e eletro talhada.
Nas linhas metálicas, o desenho:
uma caveira tranqüila e lânguida num catre
"O Opiário", epígrafe da horrenda imagem -
naquelas letras vi algo bom.
Pude sonhar com o ópio.
No sonho do ópio sonhei que sonhava
sonhos sonhando imensidades
e dimensões de pureza.
O devaneio foi meu Fogo de Santelmo -
chama destes mastros desfraldados
que buscam as cascatas
onde cai a noite. O Sonho
é mais um salto que um vôo,
salto para os meus olhos que não conheço

No cume de uma duna
que julguei ser o Strombolli do deserto
contemplei a dimensão do Mal:
O deserto em ciclópicas explosões
gritava nos seus dantescos grotões -
sua fome é a fome
do infinito pelo Infinito -
o absoluto quer o Absoluto,
pois o reflexo quer
a indiferente forma que lhe toca.
O deserto em insaciável fome
morde os pilares do céu que,
azúlea grandeza, esmaga-lhe.
Os gritos da Morte e do Vazio
estão já mais lacerantes.
Os ecos vibram elétricos
nas cordas de sangue
desta carne eremita.
Uma estrela brilhava numa duna
sugeria o horizonte em cristais -
Ó Mentilevados!





sábado, 10 de abril de 2010

Um Haikai




Esta rua vazia -


contornos de sombra dançam -


o silêncio grita